Sexta-feria, 18 de abril de 2014  
 
Lidando com meu filho rebelde
por Tomoko Saeki


Meu Filho Rebelde
Por que o meu filho me dá tanto trabalho? Diante da seção de educação familiar da livraria, eu exalei um suspiro inadvertido. Estava tendo dificuldade para criar Yuzo, o meu primeiro filho.

Minha dificuldade para fazer com que Yuzo me ouvisse começou quando ele entrou na primeira série. Quando eu mostrava um erro no exercício de matemática que estava fazendo, ele gritava “Cale a boca! Deixe-me em paz!” e se recusava a corrigi-lo. Temendo que ele tirasse notas baixas, eu persistia.

“Veja, Yuzo, isso está errado.”
“Por que eu sou obrigado a fazer esta porcaria?”
Quanto mais eu falava, mais ele resistia.
“Você precisa corrigir os erros que cometeu.”
“Eu não quero mais fazer isto!”, choramingava ele. E, desfazendo-se do lápis, ia brincar com o videogame.
“Eu já disse: nada de videogame enquanto você não terminar a lição de casa!”
“Saia daqui!”

Pensei que o meu filho talvez não tivesse queda para o estudo, mas, na quarta série, ele começou a participar de um programa de aulas particulares com os colegas. Entre uma atividade doméstica e outra, eu tentava ajudá-lo com os deveres à noite, mas quando lhe mostrava seus erros, ele ficava frustrado e zangado.

“É muito difícil!”
“Yuzo, foi você que pediu para entrar nesse programa de aula s particulares. Se não estudar agora, vai ter muito mais problemas no futuro!”

Eu ficava impaciente pensando no quanto ele podia progredir nos estudos se simplesmente parasse de protestar e me ouvisse. Seu quarto estava sempre em desordem e era comum ele perder ou esquecer a lição de casa.

“Você está esquecendo isto!” “Não largue as coisas jogadas por aí!” “Quantas vezes eu preciso repetir?”
Como mãe, eu sentia que devia assegurar que ele adquirisse bons hábitos, mas ele não me dava ouvidos.

O nosso segundo filho, um ano mais novo que Yuzo, e o nosso terceiro, que ainda estava na creche, nunca opuseram tanta resistência como Yuzo. Só ele era a “criança problema”. Em busca de respostas, eu lia livros de educação, mas não encontrava uma solução real.

Meu Desespero
“Agitação” é a palavra que define um dia na vida de quem cria t rês filhos. Cozinhar, varrer, lavar roupa, fazer compras, levá-los à creche, ir buscá-los, ajudá-los a fazer a lição de casa, ler para eles... Quando eu finalmente terminava de alimentá-los, lavá-los e colocá-los na cama, o meu marido chegava.

“Papai, você chegou!” Os meninos pulavam da cama para abraçá-lo, e ele abria um largo sorriso.
“Vamos brincar, papai!”
“Claro que sim!”

E começava tudo de novo. Eu tinha acabado de pô-los na cama... O meu marido não dava a mínima para a disciplina. Se os meninos pedissem, ficava brincando com eles até tarde da noite, e, quando Yuzo dizia palavrões, ele caía na gargalhada.

Eu é que vou ter de acordá-los amanhã cedo e mandá-los ao colégio, eu resmungava. Ouvia-os se divertirem no quarto ao lado. Até Yuzo, que nunca me dava ouvidos, era obediente com ele. Eu achava injusto o meu marido sempre bancar o pai “bonzinho”, ao passo que eu tinha de fazer o papel de chata e repreender os garotos. Isso me deixava muito triste e sozinha.

Pais e Filhos são Ligados Espiritualmente
Um dia, uma amiga me emprestou uns livros de Ryuho Okawa. Lendo-os, eu achei respostas às perguntas que tanto me davam que pensar. Quanto mais lia, mais comovida ficava. Seus ensinamentos sobre a educação familiar eram particularmente esclarecedores.

“O seu filho é uma alma plenamente desenvolvida que nasceu de você em virtude do vínculo espiritual que vocês têm. É preciso entender que toda criança nasce com um plano de vida.”

“Eles podem ser parecidos com os pais, mas sua alma não é a mesma. Por isso você não deve encarar o seu filho como uma propriedade sua.”

Trechos de How to Grasp Happiness
[Como alcançar a felicidade] (IRH Press)

Embora ele ainda seja um menino, sua alma já está desenvolvida...? Ansiosa por aprender mais, não tardei a ingressar na Happy Science. O meu marido fez o mesmo seis meses depois. Inspirada pelo que estava aprendendo, eu me esforcei para refletir sobre as minhas palavras toda vez que Yuzo tinha um comportamento rebelde. Considerei a possibilidade de meu filho usar uma linguagem ríspida comigo porque as minhas palavras eram ríspidas para ele. Mas não podia tolerar o seu desleixo nem que ele armasse um escarcéu toda vez que eu corrigia sua lição de casa.

Quando passou para a quinta série, Yuzo entrou num time de beisebol. Quando não estava assistindo à televisão ou jogando videogame, estava jogando beisebol. Ele não arruma o quarto e só faz o que quer... Eu estava realmente ficando preocupada com o futuro do meu filho se ele continuasse assim. Mais ou menos nessa época, uma amiga propôs que eu fosse a um templo da Happy Science.

No Salão de Orações
Havia algo agradável na atmosfera do salão de orações do Miraikan. Senti o coração sereno quando fechei os olhos, envolvido em calor e luz. Refleti sobre a época em que o meu primeiro filho nasceu e nos anos decorridos desde então.

Súbito, um desconhecido apareceu na minha meditação. Era um homem robusto, e eu senti uma aura pura e solene emanar de seu corpo. Ele me disse calmamente, “A pessoa que eu protejo [Yuzo] é muito digna.”

Mas então esse só pode ser o...!
Ao compreender que aquela pessoa era o espírito guardião de Yuzo, eu fiquei com os olhos cheios de lágrimas. Então a Verdade retornou para mim: o meu filho é uma alma madura, adulta, cheia de conhecimento e experiência. Eu tenho com ele um profundo vínculo espiritual cultivado no processo de reencarnação, e, antes de nascer neste mundo, nós prometemos ser mãe e filho.

Yuzo não é uma “criança problema”. Tem o seu plano de vida e um propósito. O que eu estava aprendendo com a doutrina d a Happy Science ficou claríssimo para mim. As minhas lágrimas não cessavam; quando tornei a erguer a vista, o espírito guardião de Yuzo havia desaparecido. Senti que uma parte de mim, a qual durante muito tempo eu não conseguira mudar, ficara totalmente transformada com essa experiência.

O Amor Que Eu Achava Que Lhe Mostrava...
“A verdade é que os defeitos das pessoas são o outro lado de suas virtudes. Se você não for capaz de tolerar os defeitos dos outros, procure achar o oposto, isto é, suas virtudes”, recomendou o palestrante após a meditação. Quando refleti sobre isso, vi claramente os erros do meu modo de pensar.

Yuzo ainda estava se desenvolvendo, mas, na pressa de educá- lo, eu não fazia senão mostrar aquilo que ele não conseguia fazer e, com isso, magoava-o. O importante era enxergar suas virtudes e elogiá-las, incentivá-las e nutri-las com todo o coração, mas, aos meus olhos, seus defeitos eram tão grandes que encobriam a radiância de sua alma. Yuzo ficava mais à vontade com o pai porque ele enxergava suas virtudes. Sem saber disso, eu chegava a ficar frustrada com meu marido.

Repleta de descobertas acerca das qualidades do “amor verdadeiro” que faz os outros felizes, saí do Miraikan sentindo-me como se tivesse renascido.

Bastava Eu Mudar a Mim Mesma
A partir daquele dia, a minha visão de Yuzo mudou radicalmente. Vendo-o praticar quase diariamente suas tacadas, meu desejo era que ele estudasse com o mesmo empenho com que jogava beisebol. Mas, depois da experiência no Miraikan, compreendi que ele era esforçado, mesmo quando ninguém notava. Sim, Yuzo era desmazelado – seu quarto era uma eterna bagunça –, mas também era descontraído, generoso e tinha muitos amigos. Ajudava-me sem que eu pedisse e perdoava os meus erros – qualidades que eu perdera de vista por prestar atenção unicamente aos defeitos dele. A partir do momento em que comecei a enxergar suas qualidades, a falta de vontade de estudar passou a ser uma questão de somenos importância.

O mais assombroso foi que, quando eu mudei, Yuzo deixou de ser rebelde comigo. Foi exatamente como diz o mestre Okawa: “Pais e filhos são como espelhos que se refletem mutuamente.” Yuzo oferecia resistência porque eu o tratava como se ele fosse propriedade minha, esperava que mudasse e fosse exatamente como eu queria. Eu é que criava a minha própria agonia recusando- me a aceitar meu filho tal como ele era. Criar um filho é uma experiência formativa também para mim, e eu me senti abençoada por ter a chance de criar Yuzo.

A Transformação do Meu Filho
Yuzo se concentrou no seu adorado beisebol durante todo o ensino fundamental e até o fim do médio. No seu último ano no colégio, ele chegou a rebater um home run no torneio distrital. Mas, continuou pouco interessado pelos estudos. Toda vez que eu começava a me preocupar com seu desempenho quando entrasse na faculdade, lembrava-me do seu espírito guardião e dizia comigo: A alma de Yuzo é adulta e excelente. Quando chegar a hora, ele começará a trilhar o seu próprio caminho. O que eu preciso fazer é continuar acreditando nele e cuidando dele.

Yuzo não passou no vestibular. No entanto, quando começou a estudar para as provas do ano seguinte, atacou os livros com tanto fervor que até parecia outra pessoa. A experiência do fracasso motivou-o a estudar. Simultaneamente, ele passou a ler muitos livros da Happy Science. Começou a adquirir bons hábitos. Além disso, dizia coisas como:

“Desculpe-me ter sido tão rebelde.”
“Eu agradeço sinceramente as coisas que você faz, como cozinhar para nós e sempre me dar apoio.”

Vê-lo tão amadurecido encheu-me de surpresa, alegria e gratidão. No ano seguinte, Yuzo conseguiu entrar na faculdade. Lá passou quatro anos muito satisfatórios e agora tem um ótimo emprego. Através das dificuldades de criar um filho, eu aprendi a importância de acreditar na alma de uma pessoa. Agora essa experiência tão ensinadora é um tesouro precioso que sempre hei de guardar no coração.

por Kayo Hayashi
 

O Que Eu Senti, Na Época e Agora

“Naquele tempo, eu me irritava com tudo
quanto minha mãe me dizia. Embora ainda
fosse pequeno, não gostava que ferissem o
meu orgulho. Detestava ser reprimido e procurava
ser livre, mas uma palestra do mestre Okawa
me levou a pensar na “liberdade de me moldar”. O estudo
dos ensinamentos levou-me a encarar minhas
deficiências e instilou em mim o desejo de retribuir
aos meus pais, que me amam e me ajudam.”

por Yuzo Hayashi

Histórias de
Experiência de Vida
Revista 193:
“Como Eu Venci o Câncer de Mama”
Revista 193:
Perder Tudo me Levou a Ganhar a Maior Felicidade
Revista 192:
Um a Segunda Chance na Vida Através da Fé
Revista 191:
Da Pura Fé a uma
Vida de Prosperidade
Revista 190:
O Meu Tumor Desapareceu em Apenas Dois Meses
Revista 189:
Três relatos de participantes do retiro: “Os Oito Corretos Caminhos”
Revista 188:
Refletindo Sobre
a Infância

Experiência de Ursula Forster
Revista 187:
Despertando
para a Luz Interior

Experiência de Yuko von Rothkirch
Revista 186:
Acreditar que Seu Caráter Brilhará
Experiência de Miyako Tsuchimine
Revista 185:
Um Acidente Levou-me à Gratidão
Experiência de Kikue Shimokawa
Revista 184:
Minha Luta Contra a Diabetes
Experiência de Alex Paz
Revista 183:
Descobrindo o Verdadeiro Eu
Experiência de Melody Powell
Revista 182:
A Coragem de Viver Criativamente
Experiência de Kayo Hayashi
Revista 181:
Lidando com meu filho rebelde
Experiência de Kayo Hayashi
Revista 180:
Trazendo mudança ao escritório
Experiência de Tomoko Saeki
Revista 179:
À beira do divórcio e de volta
Experiência de Shoko Hasegawa
Revista 178:
A vida é um caderno de exercícios
Experiência de Kaoru Komatsu
Revista 177:
Despertando para o amor que me foi dado
Experiência de Etsuko Maruyama
Revista 176:
Um novo modo de crescer
Experiência de Shigeharu Shimamura
Revista 175:
A adversidade é a maior oportunidade
Experiência de Kaoru Inoue
Revista 174:
Superando o meu ego com a Verdade
Experiência de Steve Bortignon
Revista 173:
Voltarei a vê-lo no céu
Experiência de Yasuyo Sugimoto
Revista 172:
Do fracasso ao successo
Experiência de Robert Lutuwama
   
Ciência da Felicidade
Happy Science do Brasil
www.happyscience-br.org
Templo Happy Science
Rua Domingos de Morais, 1154 - Vila Mariana - SP
Tel: (11) 5088-3800
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